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domingo, 17 de julho de 2011

11º Congresso de Medicina de Família e Comunidade - Notícias



O 11º Congresso de Medicina de Família e Comunidade, realizado em Brasília, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, entre os dias 23 e 26 de junho, foi considerado pelos organizadores do evento como um dos mais importantes encontros de Medicina de Família e Comunidade (MFC) no mundo. "Não é exagero dizer isso de um congresso que reuniu aproximadamente 4 mil pessoas ligadas diretamente à MFC e à atenção básica e discutiu temas científicos, políticos e socioculturais de um País com dimensões continentais."





O encontro teve como objetivo reafirmar a Atenção Primária à Saúde como estratégica para a garantia do direito à saúde para todos os cidadãos brasileiros e a medicina de família e comunidade como uma especialidade essencial para o alcance desse objetivo e continuação da estruturação do nosso Sistema Único de Saúde.
O tema do congresso foi: "Medicina de Família e Comunidade: agora mais do que nunca".




Durante o evento, havia 17 salas com programação científica simultânea, quase sempre lotadas pelos participantes. Foram 28 palestrantes convidados internacionais e mais de 200 convidados nacionais. No total, aconteceu a apresentação de 471 comunicações orais coordenadas e a exposição de 1370 pôsteres. Além de atividades complementares, como mostra de contos, fotografias e vídeos. Houve também oficinas com aulas de ioga, tai chi chuan e dança.




Paralelamente ao 11º Congresso de Medicina de Família e Comunidade, aconteceu o 4º Encontro Luso-Brasileiro de Medicina Geral, Familiar e Comunitária.

Segundo o presidente do 11º CBMFC, Sandro Rodrigues Batista:
“Conseguimos trazer uma programação científica de qualidade, mas também envolver um pouco de emoção, no sentido de formar um congresso mais humano, e muito interessante. Precisávamos resgatar um pouco da energia das pessoas, essa capacidade de batalhar, de buscar melhorias para a nossa especialidade, colocar para fora os pensamentos e as emoções.”




Na programação cultural, denominada “Paralelo 14”, coordenada pelo MFC de Brasília (DF) Guilherme Nabuco, os participantes do 11º CBMFC puderam usufruir de diferentes práticas, vivências e encontros que incluem ioga, leitura corporal, meditação, automassagem e dança circular, jogos educativos para a saúde e terapia comunitária. Além disso, os cerca de 4 mil congressistas também têm a oportunidade de acompanhar a III Mostra de Vídeos da Saúde da Família, a III Mostra de Fotografia Saúde da Família e o II Concurso de Contos Saúde da Família.















Na cerimônia de abertura do evento, houve uma homenagem à Barbara Starfield, um ícone da medicina de família e comunidade, falecida 13 dias antes do início do congresso, no dia 10 de junho de 2011.
"Ela inspirou o trabalho de muitos MFCs, sendo exemplo de cuidadora e defensora do exercício da profissão com base no amor e no cuidado ao paciente, por meio do estabelecimento de um elo de confiança e doação de si ao outro."

"Por tudo que representou em vida, por seu legado, Barbara ficará na memória de todos e influenciará a futura comunidade de MFCs e profissionais da APS, em suas obras e na forma como praticou e defendeu uma saúde justa, decente e igualitária."



Barbara Starfield estabeleceu as bases e princípios da APS, deixando como legado várias obras importantes sobre o tema. Uma delas, A tenção Primária - Equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia, está disponível neste link.

É um livro referência sobre o tema, recomendo a leitura para todos aqueles que se interessem por Atenção Primária à Saúde, incluindo profissionais de saúde, pesquisadores, gestores, etc.








Sessão de pôsteres reúne trabalhos de todo o País e traz à tona histórias inusitadas na prática da MFC.




Como já anunciado aqui no Blog, o médico da equipe de saúde da família de Bela Vista participou do 11º Congresso de Medicina de Família e Comunidade, inclusive apresentado dois trabalhos científicos no evento: PÊNFIGO VULGAR EM ÁREA DE ABRANGÊNCIA DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA - RELATO DE CASO e SÍNDROME BURNOUT EM MÉDICOS DO TRABALHO PARTICIPANTES DE CONGRESSO NACIONAL DA ESPECIALIDADE.

O primeiro trabalho foi apresentado em forma de Pôster. Foi distribuída aos participantes do congresso uma versão impressa do pôster e um marcador de páginas com o tema do trabalho, e-mail de contato do autor e endereço do Blog da equipe.


O segundo trabalho científico foi apresentado em forma de comunicação oral coordenada. Assista ao vídeo abaixo com parte da apresentação.





Acabou de sair a publicação dos Anais do Congresso, com o resumo de todos os trabalhos científicos apresentados no evento. Clique neste link  para fazer o download em PDF dos Anais do Congresso.


Congresso em números:
3476 congressistas inscritos
232 palestrantes
26 palestrantes internacionais
850 médicos associados à SBMFC
1050 médicos não associados
22 estandes de expositores
50 colaboradores para os estandes
33 recepcionistas

domingo, 12 de junho de 2011

11° Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade - Apresentação de Trabalhos

Nos próximos dias 23 a 26 de junho de 2011 será realizado, em Brasília, o 11° Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade. Evento organizado pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), que reunirá mais de 3.200 especialistas em medicina de família e comunidade e áreas correlatas de todo o País, convidados internacionais, além de representantes do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde (DAB/MS).



O médico da equipe de Saúde da Família de Bela Vista, Dr. Bruno Matos Corrêa, participará do congresso, onde vai apresentar dois trabalhos científicos: SÍNDROME BURNOUT EM MÉDICOS DO TRABALHO PARTICIPANTES DE CONGRESSO NACIONAL DA ESPECIALIDADEPÊNFIGO VULGAR EM UMA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DA ESF: RELATO DE CASO. Este último corresponde ao relato de caso de uma paciente, com uma doença rara e muitas vezes letal se não tratada, que reside em nossa área de abrangência e é acompanhada pela ESF de Bela Vista.  Desta forma, o médico apresentará sua experiência, além de divulgar o nome da equipe, comunidade e município onde trabalha, para os participantes do congresso.



Veja abaixo os detalhes dos trabalhos a serem apresentados, incluindo o resumo dos mesmos:
11º CBMFC - Trabalhos

NOME:
Bruno Matos Corrêa
FORMA
Comunicação oral coordenada
TIPO
Pesquisa quantitativa
EIXO
Pesquisa
TÍTULO
SÍNDROME BURNOUT EM MÉDICOS DO TRABALHO PARTICIPANTES DE CONGRESSO NACIONAL DA ESPECIALIDADE
AUTOR PRINCIPAL
BRUNO MATOS CORRÊA
APRESENTADOR
BRUNO MATOS CORRÊA
CORPO DO RESUMO
A Síndrome Burnout é um processo que conduz a uma reposta inadequada do organismo a agentes estressores no trabalho, com implicações emocionais, de caráter crônico, cujos traços principais são: esgotamento físico e psicológico, atitude fria e despersonalizada e sentimento dilacerante de fracasso em relação ao trabalho. É descrita como um incêndio devastador, interno, que reduz a cinzas a energia, as expectativas e a autoimagem de alguém, antes profundamente entusiasta e dedicado ao trabalho. Caracteriza-se pelo acometimento do indivíduo em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização pessoal. Exaustão emocional refere-se ao sentimento de sentir-se sobrecarregado e esgotado em seus recursos físicos e emocionais. Despersonalização refere-se a uma resposta negativa, insensível ou desinteressada ao trabalho. Reduzida realização pessoal refere-se a sentimentos de incompetência, falta de conquistas e baixa produtividade no trabalho. O diagnóstico de Burnout é definido quando são encontrados escores altos nas duas primeiras dimensões e escores baixos na terceira. As ocupações cujas atividades estão dirigidas a pessoas e que envolvem contato muito próximo, preferencialmente de cunho emocional, são tidas de maior risco ao Burnout. Os médicos estão entre os profissionais mais afetados. Este trabalho tem por objetivo determinar a prevalência da Síndrome de Burnout em médicos do trabalho participantes do 14° Congresso da ANAMT - Associação Nacional de Medicina do Trabalho, utilizando o Maslach Burnout Inventory e questionário de dados sócio demográficos. Realizou-se uma investigação, através de entrevistas estruturadas, com 59 médicos do trabalho, 26 homens e 33 mulheres, participantes do 14° Congresso Nacional da especialidade, no período de 15 a 21 de maio de 2010. Os resultados mostram uma prevalência de Burnout em 18% da amostra. Dentre os médicos do trabalho pesquisados, 44,1% apresentaram nível alto de exaustão emocional, 35,6% nível alto de despersonalização e 25,4% nível baixo de realização pessoal. Demonstrou-se que 83,1% dos médicos do trabalho entrevistados consideram a atividade desempenhada como fator de interferência na vida pessoal, e 10,2% da amostra pensam na possibilidade de mudar de profissão e abandonar a medicina. O estudo enfatiza a necessidade de maior conhecimento da Síndrome Burnout, incluindo seus fatores desencadeantes e moderadores, manifestações e, sobretudo, formas de prevenção, por profissionais de saúde e trabalhadores. Para que estes, especialmente os cuidadores, possam manter-se mentalmente saudáveis. Este trabalho é pioneiro ao abordar a Síndrome de Burnout exclusivamente em médicos do trabalho, mas não é conclusivo, chamando atenção para uma população que precisa ser mais estudada pelos pesquisadores da área.
   
11º CBMFC - Trabalhos
NOME
Bruno Matos Corrêa
FORMA
Comunicação oral coordenada
TIPO
Relatos de experiência
EIXO
Cuidado individual, familiar e comunitário
TÍTULO
PÊNFIGO VULGAR EM UMA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DA ESF: RELATO DE CASO
AUTOR PRINCIPAL
BRUNO MATOS CORRÊA
APRESENTADOR
BRUNO MATOS CORRÊA
CORPO DO RESUMO
Pênfigo vulgar é uma doença auto-imune rara, crônica e com elevada morbidade, podendo ser letal em mais de 90% dos casos não tratados. Caracteriza-se por lesões vesiculo-bolhosas que acometem pele e mucosas. Ocorre principalmente entre a quarta e sexta décadas de vida. Cerca de 90% dos pacientes tem envolvimento oral e em geral a enfermidade tem início neste local, com lesões exulceradas, que posteriormente acometem a pele. O diagnóstico é feito pelo exame histopatológico, que evidencia acantólise, com bolhas intraepidérmicas acima da membrana basal. O tratamento de escolha é a corticoterapia, sendo prednisona a droga mais usada. Apresenta-se um caso de pênfigo vulgar em uma paciente de 49 anos, residente em área de abrangência da Estratégia de Saúde da Família. O quadro iniciou com gengivite, persistindo por dezoito meses. Posteriormente, passou a apresentar lesões vesiculo-bolhosas em mucosa oral, semelhantes a aftas, que se tornaram exulceradas. A paciente procurou diversos profissionais de saúde, sendo prescritos vários antibióticos, anti-inflamatórios e antifúngicos. Mas as lesões persistiram e difundiram-se por toda mucosa oral. Após quatro meses, apresentou lesões vesiculo-bolhosas por todo corpo, com rompimento fácil, devido à pele fina e frágil, exulceração das lesões e formação de crostas. O exame histopatológico, feito após dois meses, evidenciou lesão bolhosa compatível com pênfigo vulgar. Foi iniciada terapia com prednisona, associada, após treze dias, a azatioprina. Evoluiu com melhora acentuada das lesões. Após um ano de seguimento, encontra-se sem surgimento de novas lesões. Entretanto, desenvolveu Diabetes Mellitus, com glicemias de difícil controle, e HAS. Encontra-se em acompanhamento pela equipe de saúde da família, com boa evolução do quadro clínico e controle dos níveis glicêmicos e pressóricos. O relato deste caso demonstra que o pênfigo vulgar, apesar de raro, deve ser conhecido pelos profissionais das ESF, especialmente os dentistas - pois as lesões geralmente iniciam-se na mucosa oral. Primeiro, para que se possa fazer um diagnóstico precoce de uma doença potencialmente letal - os estudos identificam um tempo médio de 24 meses de sintomas antes do diagnóstico. Segundo, porque os pacientes necessitam de acompanhamento prolongado, pois a terapia controla, mas não cura a doença. Terceiro, porque são necessários esclarecimentos e orientações a respeito da doença. Finalmente, porque muitos pacientes perecem pela complicação do tratamento e não pela doença propriamente dita. Neste contexto, a ESF adquire importante função, tendo em vista a proximidade e criação de vínculo, como responsável em promover um cuidado integral e contínuo a estes pacientes.
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